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Jornalismo e Literatura, uma relação para explorar

Viegas Fernandes da Costa e Sergio Saraiva abrem experiências literárias, tendo o jornalismo e a imprensa como suporte


Jornalismo e Literatura, uma relação para explorar Natural de Blumenau (SC) e atualmente residente de Imbituba. O autor do Garopa Literária que você conhece hoje é Viegas Fernandes da Costa. Historiador e escritor, é também professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) - Campus Garopaba. Traz no currículo uma Especialização em Estudos Literários (FURB) e o Mestrado em Desenvolvimento Regional (FURB).

Em sua trajetória, Viegas esteve assiduamente conectado ao mundo jornalístico, apresentando programas de televisão e editando sites relacionados à literatura, onde entrevistou diversos escritores e produtores culturais. Manteve colunas nos jornais Expressão Universitária, Jornal de Santa Catarina e Jornal Mais Garopaba – onde ainda escreve. E também produziu e apresentou programas de rádio.

Como professor, lecionou as disciplinas de História, Filosofia, Sociologia, Geografia e Atualidades em escolas do estado. Proferiu diversas palestras nas áreas de literatura africana, literatura catarinense, história do corpo, prática da crônica, patrimônio histórico, história pré-colonial de Santa Catarina, dentre outras.
O encontro com Viegas Fernandes da Costa no Garopa Literária conta com a presença especial do jornalista Sérgio Saraiva. Juntos, eles conversam sobre Literatura e jornalismo na quinta-feira (08/06), às 19h30min. No Blog do autor tem muito mais. Espia lá.

Confira a entrevista ao GMídia
GMídia: Quando e como começaste a escrever?
Viegas: Comecei a escrever e publicar meus textos ainda na juventude. Como a maioria dos escritores, cometi poemas porque achava que era o caminho mais fácil. Por sorte e para o bem da literatura, a maior parte destes textos nunca foi publicada. (risos) De qualquer modo, quando ainda muito jovem, percebi que o texto poderia ser um bom instrumento para refletir e compreender o mundo. Por isso segui. Mais tarde, quando a Internet ainda engatinhava no Brasil, comecei a publicar uma coluna semanal de crônicas em um site de cultura de São Paulo. Esta experiência foi fundamental para que eu continuasse apostando na palavra. Como resultado material deste trabalho, uma editora se interessou pelas crônicas e, em 2005, foi publicado meu primeiro livro, intitulado “Sob a luz do farol”. Este livro reúne uma seleção de crônicas publicadas naquele site. Antes dele, já havia participado de algumas antologias e publiquei poemas, contos e crônicas em revistas e jornais. Hoje, tenho quatro livros publicados, mas a maior parte dos meus textos estão espalhados por aí, em jornais, revistas, sites e antologias.

GMídia: Por que tu escreves?
Viegas: Um dia perguntaram ao artista plástico Iberê Camargo por que ele pintava. A resposta foi, “eu pinto porque a vida dói”. Da mesma forma, à pergunta respondo, escrevo porque a vida dói. E a literatura é, para mim, um modo de lidar com esta dor e torná-la um pouco mais suportável.

GMídia: Quando e como foi a vinda para Imbituba e o que tu considera mais único sobre essa cidade?
Viegas: Cheguei à região em 2013 para assumir as atividades de professor de História no Instituto Federal em Garopaba. Sou nascido e vivi a maior parte da minha vida em Blumenau, e por isso costumo dizer que sou uma capivara do vale que emigrou. Blumenau está situada no Vale do Itajaí, espremida entre morros e o rio que corta a cidade. Assim que cheguei ao litoral Sul, deparei-me com os amplos horizontes. Acordar todas as manhãs e poder mirar o horizonte é uma experiência única. De 2013 a 2014 continuei residindo em Blumenau, deslocando-me todas as semanas para Garopaba para trabalhar. Em 2015, entretanto, minha esposa Fernanda e eu resolvemos transferir residência e acabamos escolhendo as margens da Lagoa de Ibiraquera para dar continuidade as nossas histórias. Foi uma mudança significativa. De casa vemos a lagoa, as dunas da Ribanceira e o mar. Se há congestionamento onde moramos, este é de pássaros e ventos.

GMídia: Moras em uma cidade que acompanhou de perto a tragédia com o pequeno indígena assassinado. Esse caso pode ser considerado um reflexo da nossa sociedade quando se fala em povos indígenas?
Viegas: Para a maior parte da nossa sociedade, o índio é bonito quando distante da cidade e quando não interrompe estradas. Mas sob os semáforos e espalhado pelas calçadas, vira bandido ou mendigo perante nossos olhos. O que não pode é atrapalhar o progresso, esteja este no Morro dos Cavalos, em Palhoça, ou em Belo Monte, no Rio Xingu. E não importa que produza seu artesanato com qualidade e tradição, a maior parte dos seus clientes asseados e apressados, compra por pena, não por respeito. É assim que infelizmente continuamos a perceber os povos indígenas. Parece-me que o caso específico da criança kaingang brutal e covardemente assassinada na rodoviária de Imbituba, resultou da ação de um psicopata. De qualquer modo, diariamente indígenas são assassinados em nosso país, muitos deles obrigados ao suicídio. Interesses do agronegócio, do extrativismo mineral e de madeireiros cada vez mais reduzem as condições de sobrevivência cultural e física dos povos indígenas. Este governo espúrio que atualmente ocupa a presidência nacional é prova disso, colocando à frente da FUNAI um militar e transformando a questão indígena em caso de segurança pública, quando se trata de uma questão de políticas públicas, direitos humanos e respeito à diversidade à autodeterminação étnica, reconhecida pela ONU. E o silêncio da sociedade em torno do genocídio histórico e permanente das populações indígenas é reflexo desta relação colonial europeia que ainda mantemos.

GMídia: Como professor, o que consideras como pontos mais positivos e em que os estudantes precisam ter mais atenção na escola ou na academia?
Viegas: São inegáveis os avanços que a internet, as redes sociais e as relações virtuais trouxeram para a democratização do acesso à informação e ao direito de dizer. O ato de publicar, que há menos de 50 anos ainda estava restrito aos interesses de mercado das editoras e aos círculos de compadrio intelectual, hoje está acessível a qualquer um que disponha de internet, um editor de textos e vontade. Entretanto, a forma como a informação é gerenciada e chega à maioria das pessoas ainda é centralizada e submetida aos interesses econômicos. De qualquer modo, hoje um jovem lê e escreve em média muito mais do que a média dos nossos pais e avós. Claro, podemos discutir o que estamos lendo e escrevendo e como estamos lendo. Qual a qualidade da informação que acessamos e produzimos. Mas o fato de muitos poderem ler, escrever e publicar me parece algo importante. Para onde caminhamos e qual o tipo de sociedade que resultará deste processo, ainda não nos é possível compreender, salvo em exercícios de futurologia. O grande desafio pessoal que temos, seja na academia, seja em nossa cidadania, é justamente filtrar toda a informação que recebemos, criar mecanismos mais assertivos de acesso à informação e, principalmente, tolerância e respeito às divergências, desde que estas respeitem os princípios fundamentais dos direitos humanos.

GMídia: O que um jornalista precisa ter (ou ser), indiscutivelmente, para cumprir seu papel social?
Viegas: Compreender fundamentalmente que jornalismo é, antes de tudo, uma função social imprescindível para a democracia, e que por isso sua prática não pode se limitar à produção de uma mercadoria (a notícia) necessária para a atração de publicidade e, assim, de lucro para os proprietários dos meios de comunicação.
Sob a Luz do Farol
Abaixo, um pouco sobre as obras publicadas pelo autor. Os trechos dos comentários são de diferentes veículos de informação.

Sob a sombra da Tabacaria , Liquidificador, 2015
"A obra, que reúne um conjunto de textos de ficção em prosa poética, recebeu o Prêmio Catarinense de Literatura (...) e explora temas como o tempo, a memória e a existência."
Marciano Diogo, Notícias do Dia

Pequeno álbum , Hemisfério Sul, 2009
Com uma prosa que margeia a poesia, os textos de Pequeno Álbum procuram construir imagens com palavras, cada conto constituindo-se como fotografias compostas não por luz, mas de verbo.
A Garganta da Serpente

De espantalhos e pedras também se faz um poema
Cultura em Movimento, 2008
Poemas não são para serem analisados, nem criticados, nem entendidos: poemas são para serem sentidos. E no caso de “de espantalhos e pedras também se faz um poema”, os poemas são para serem sentidos não apenas pela emoção causada pelas palavras que criam sensações, mas pelo tato, pelo olfato, pela visão.
A Barata

Sob a luz do farol, Hemisfério Sul, 2005
"São textos que nos podem fazer rir quanto revirar o que temos de mais íntimo e nos apunhalar de dor; são como afiadas espadas de luz que Viegas cria com leveza e angústia, e que nos esperam no livro para nos atravessar".
Urda Alice Klueger, Germina Literaura

Foto: Bernadete Scolaro



Glaucia Damazio       24/05/2017 As 10:44:36


Fotos da notícia Jornalismo e Literatura, uma relação para explorar

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