Seriam nossas escolhas determinantes em nossas vidas?
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche” Arnaldo Jabor
Ao contrário do que afirmam alguns teóricos e doutos senhores (as) na área da psicologia, nem sempre somos produtos decorrentes, unicamente, de nossas próprias escolhas. – A escolha foi sua, agora arque com a conseqüência. É frase que ouvimos desde pequenos, em casa. Embora ninguém tenha sido perguntado sobre a melhor hora, dia, local e família, em qual preferiam ter nascido.
A iniciar por aí. E durante anos, além de optar por nós, nossos pais, tios, tias e avós nos conduziram por caminhos naturalmente traçados pelas próprias aspirações e condições deles. Suas limitações ou perspectivas sociais, políticas, econômicas, culturais e financeiras pesaram bastante em nossa sina.
Pensando desta forma, me oponho a consagrado autor alemão que, sinceramente, esqueci o nome, mas que me foi dado conhecer resumidamente, há dez anos, nas areias quentes do verão, na praia central, em Garopaba, na altura do bairro Morrinhos.
Uma professora universitária, psicóloga, gaúcha, que tem casa lá em cima, no Ambrósio e passa sempre um mês em média, de férias, aqui na cidade lia este autor e me apontava esta tese dele como referência atual em seu meio. –Concordo com ele! Exclamou conclusiva a linda morena que, entre outros atraentes predicados, já havia sido atleta olímpica da equipe brasileira de ginástica em 85 e, para meu encantamento, bronzeava a excelente forma física em que ainda se encontrava, sob o ardente sol de fevereiro de nosso país tropical abençoado por deus e bonito por natureza.
Clô era baixinha, do tipo mignom, seios proporcionais, sem o moderno silicone embutido, tez parda e macia no toque, com swing no falar e no andar. Um pêssego maduro daqueles que só se encontra na temporada.
Na época, mais interessado na professora do que, propriamente, no livro e na teoria do alemão, acatei a opinião dela. Mais tarde, refletindo sobre o tema percebi que em parte o cara e ela tinham razão. Mas quando se tem razão em parte, abre a perspectiva de que exista outra parte que, dialeticamente, venha se opor a esta afirmação.
E partindo na antítese, fiz um mix e, sintetizei uma nova teoria que contemplava mais amplamente a afirmação original que limitava nossas escolhas como determinantes exclusivas em nossas vidas. Além da fatalidade e circunstância de nossa vinda ao mundo.
Após chegarmos ao planeta num determinado ponto do tempo e do espaço, recebemos, ou somos recebidos por nossas famílias. Um grupo de pessoas com as quais caminharemos por toda nossa vida. Seja por uma alameda florida e com tempo bom ou por uma trilha ardilosa, cheia de obstáculos e lutas que podem deixar marcas profundas em nossa carne ou em nosso espírito. Afinal, pais, mães e filhos são apenas humanos, com suas características inerentes a esta condição natural da criação.
Se nesta escolha inicial não influímos, o outro lado da moeda, representado por nossas preferências determinando o que seguir ou o que fazer é tão real e conseqüente como o primeiro.
Crescendo e nos desenvolvendo no âmbito de nossa casa e depois na escola e na rua passamos a ser cada vez mais centrados em nossa própria existência. Isto inclui a busca pelo espaço individual. É bom e saudável que seja assim.
Até ocorrer de seguir-se um ideal e decidir sobre uma vocação. Ou iniciar no trabalho, seja pela ótica ou necessidade da família.
Entre os irmãos cada um faz sua escolha ou é escolhido por suas características e, a partir desta fase, geralmente, aplica-se a teoria de que “somos responsáveis por nossas próprias escolhas”. Será? É necessário contabilizar a carga de influência jogada ou recebida sobre nós para julgar melhor esta afirmação.
Depois vem a vida profissional e a escolha da companheira ou companheiro para viver e formar outro núcleo familiar. A carreira e a nova família. Que bom quando tudo anda bem.
Mas ocorrem acidentes de percurso. E sabemos bem disso. Nem todos são maduros e equilibrados para andar magicamente de maneira retilínea em uma sociedade torta.
Se assim fosse, não somente escritores, mas psiquiatras, antropólogos, sociólogos, psicólogos e outros tantos “ólogos”, profissionais da alma e da conduta humana, ficariam, assim como eu, privados de sua incalculável fonte de trabalho e reflexão.
Por motivos totalmente alheios a nossa vontade a conjuntura funcional ou afetiva nos prega surpresas. Teriam simplesmente nossas escolhas determinado as ocorrências? Ora, não sejamos tão radicais nesta afirmação, nem tão simplistas como o escritor alemão em sua teoria de mercado.
O mundo a nossa volta se transforma constantemente e, por falta de informação ou previdência podemos dançar em alguma certeza. Em fases diversas faríamos escolhas diferentes.
Vivi período recente da história do Brasil onde desde expoentes na cultura, passando por artistas populares, militares, sindicalistas, políticos e milhares de trabalhadores foram perseguidos, perderam seus postos, empregos e perspectivas reais de crescimento dentro de uma estrutura democrática e um estado de direito aparentemente estáveis. Quando não foram torturados e presos. E daí? Será que escolheram este destino? Certamente não.
A romântica pesca artesanal que caracteriza culturalmente e ainda socialmente Garopaba, jornais impressos, rádios AM, afiadores de faca e tesoura, sapateiros e outras tantas atividades parecem estar com os dias contados e, assim como os carros de bois, ainda têm os que ali trabalham e fizeram suas escolhas ou para estas profissões foram escalados. Será que erraram em suas escolhas ou foram as coisas que “evoluíram” e mudaram a sua volta?
Esteja bem informado para fazer uma boa gestão de sua vida profissional e pessoal e jamais se culpe, se as previsões falharem, pois mesmo bem informados, assim como no jogo da bolsa, na política e no futebol, podemos ser pegos de surpresa. E ter que partir prá outra, sem culpas nem desculpas.
04/05/2011 às 16:41:12
ILZA A. S. P . DA SILVA 05/05/2011 às 12:50:04
Muito bem escrito...reflete nossa realidade mesmo...
Fazemos parte de toda uma conjuntura familiar, social e mundial!
Realmente, andar em linha reta numa estrada sinuosa, cheia de atalhos e atalhos de atalhos, que podem levar de novo à alguma via mais larga, bifurcada!
Mas eu tenho a impressão, que mesmo dando voltas e achando que se está num caminho diferente, se chega ao mesmo ponto que se chegaria..nossas mentes ficaram condicionadas a tal ponto, que o velho inconsciente nos faz tomar decisões que estamos certos que são totalmente diferentes, que estamos sendo rebeldes aos principios!!
Na verdade, muitas vezes me parece que é mais ou menos como se tivessemos um tablado com inúmeras ramificações interligadas, que apertando uma tecla-escôlha, vai dar num ponto, que de novo apertando vai dar noutro e assim, sucessivamente...todos vão dar num único ponto final, a morte fisica, esta é certa e indiscutível, palpável!!
Escôlhas dependem de como se percebe a situação, que vai depender de nossas caracte´risticas menos ou mais influenciáveis,nossa noção de poder ser independente emocional E FINANCEIRAMENTE, por financeiramewnte pode-se tb. entender capacidade de trabalho, seja fazendo uma casinha com as proprias mãos, plantando frutas e verduras, conhecendo cada erva curativa eum contrôle emocional que permita saber o que fazer na hora certa!! a tal inteligência emocional, que cada vez mais acredito que na realidade seja o fator preponderante..bom, mas tem o personagem Gastão(?) de Walt Disney, que sempre tudo aparecia no momento certo e sem mesmo ter que abrir os olhos, podia estar fazendo mais uma gostosa soneca!!
Mas claro que este personagem,GASTÃO=SORTE como todos os outros do memorável Disney, nos passava uma mensagem chamada SORTE INCONDICIONAL...
MAS TB. SOMOS TÃO CONDICIONADOS A NÃO MOSTRAR REAÇÃO, QUE SOMOS DEPOIS PROVOCADOS CADA VEZ MAIS VIDA AFORA, ATÉ APARECER ALGUMA, QUE PROVAVELMENTE VAI SER BOMBÁSTICA!!
Sempre terá mais de uma opinião, desde que haja liberdade não só de pensamento como de expô-lo!! então, um pouco tardiamenmte, exatamente pelos condicionamentos que se traz do meio ambiente familiar ( se não fôr familiar, é social/econômico )..o que significa: se estás pensando/dizendo tal coisa a meu respeito, é porque pensas /falas de maneira talvez totalmente oposta à minha, o que significa, naturalmente, que minhas idéias são outras, sendo assim , se desfazes das minhas, eu estou desfazendo das tuas, por motivo mmmuito simples!!
Então, muma sociedade livre, eu me dou o direito de ter uma opinião livre a teu respeito, que pode ser tão desabonadora como a tua a meu respeito, dente por dente!!
Assim que hj. em dia nem me abalo mais com o que pensam ou dizem, simplesmente penso, digo ou não, nem sempre é mto. esperto entregar o ouro aos bandidos!!, ops...botar as cartas na mesa...
Sabe, na vida diária tb. existe o ataque, o contra-ataque, o tempo de espera...nossa guerra pessoal e intransferível, nosso inferninho particular..felizmente conseguimos ter épocas de surdo-mudo, se dar momentos e situações de alegria real, sem medo de ser feliz (mas, a cobrança disto sempre está esperando....sério!! )
Alguém já passou por uma situação onde tudo se cria e se resolve na p´ropria cabeça, um drama interno, que só acontece com ela??qdo. a gente dá um sorrisão para si mesmo e se diz " TUDO RESOLVIDO" e ninguém entende a repentina mudança de humor, que pode ser para pior tb.."que droga, nada dá certo, mesmo"...seu prório céu e inferno, resumidos nos seus proprios sentimentos condicionados à aceitação,"PARAÍSO" E NEGAÇÃO "INFERNO", AMBOS PARTICULARES...falo em situação de liberdade de pensamento, o que já é bem dificil, lá estão nossas influencias do passado, agora se sabe cada vez mais que do passado dos ancestrais, vem direitinho com nosso DNA...
Tens razão, Alfredo...ainda temos toda uma mudança de tecnologia, de necessidades mais imediatas de produção, o que muida MUITO tudo!! e leis que não s´´o são feitas para degradar o SER HUMANO, com algumas que foram até feitas com honestidade, não são cupridas, são mudadas!!
Então, mudou alguma coisa?? dá tudo na mesma, sério!! sou aumentou o número de pessoas, consequentemente, apareceu mais gente para lutar pelo pedaço, uns honestos e trabalhadores, taxados com impostos, são castigados por fazerem o que se espera que seja feito..e os desonestos de sempre, com causas ditas sociais, estimulando não só a vagabundagem como o "roubo licito" dos resultados positivos de quem se empenhou!!
Pois é...não foi assim desde sempre? sim, as escolhas são decorrentes de uma aceição/não aceitação..conformismo/rebeldia !!
Ou simplesmente uma necessidade de mostrar a si próprio, no minimo, que não se herdou determinadas características que não são aprovadas pela maioria..de novo, um personagem..ROBIN HOOD!
SOMOS SIMPLES PERSONAGENS,( OU ATÉ SIMPLES COADJUVANTES, MUDANDO DE PAPEL CFE. A MÚSICA).. A RODA DAS CARACTERISTICAS ESTÁ SEMPRE EM FUNCIONAMENTO, SEMPRE GIRANDO..E GANHAMOS O QUE NO MOMENTO ESTIVER CAINDO PARA NOSSO LADO..SIMPLISTA, NÃO? E ISTO SE ESTIVERMOS ATENTOS NO MOMENTO, SENÃO ALGUÉM MAIS RÁPIDO DARÁ UM SALTO E PEGARÁ PRIMEIRO..
E agora?continua tudo como no inicio do texto...NÃO ESTOU COM UM SORRISÃO, NEM COM CARETA AMARGA!!! ESTOU , SIMPLEMENTE SENDO COADJUVANTE, ESPERANDO QUE A PRÓXIMA MÚSICA ME SEJA AGRADÁVEL..DEPOIS UMA MENOS AGRADÁVEL ATÉ PIORAR MESMO!! E DEPOIS IR MELHORANDO, MELHORANDO .,ATÉ CHEGAR AO MÁXIMO, ONDE COMEÇARÁ A DECRESCER DE NOVO, ESTA É A RODA DA VIDA!
Apreciei muito teu texto..e não pude deixar de sorrir na descrição da morena, que afinal, deu matéria, talvez a Clô tenha contibuído com a parte do alemão que esqueceste o nome, mas tb. contribuiu muito com o teu interêsse pela abundante vida em volta de ti...
Abraço.
Ilza Amalia
P.S.: SÓ QUE ACHO MUITO DIFICIL ESCREVER NESTE TIPO DE ESPAÇO, QUE PRECISA IR E VOLTAR, NÃO FICA RESTRITO AO ESPAÇO REAL ENTRE AS LINHAS LIMITANTES DOS LADOS..

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