Ave Dilma ! Os projetos dela, até aqui deram certo
Saúdo nossa primeira presidenta: Dilma Roussef, primeira mulher eleita presidente no Brasil. Marco histórico. Ou melhor, “marca histórica”, para enaltecer a substância feminina desta guerreira.
Conheci Dilma em 1979, ainda na militância política, em Porto Alegre, ao lado de seu companheiro, Carlos Araújo em reuniões na Rua da Praia, na sede da Associação de Estudos e Debates do Partido Trabalhista Brasileiro, (o “antigo PTB”), de Getúlio, Jango, Brizola, Darcy Ribeiro e Matheus Schmidt. Nos meses que antecederam ao pérfido ataque final a esta legenda criada na era Vargas. Reminiscente do único partido de massa anterior à ditadura, a sigla trabalhista foi perseguida e estrategicamente aniquilada pelo maquiavélico Gal. Golbery em cumplicidade com a oportunista Ivete Vargas. Ferida mortalmente em seu significado histórico, a sigla do PTB, após ser violentada num derradeiro golpe mórbido da repressão, foi simbolicamente rasgada por Brizola para, em seguida, conforme preconizava o líder trabalhista em seu gesto, virar legenda inorgânica de um partido de aluguel e escândalos. Foi quando Dilma, superando mais esta manobra do arbítrio, permaneceu entre os trabalhistas históricos, ajudando a fundar o PDT.
Lembro que Dilma sempre se destacava em encontros e nas reuniões políticas dos trabalhistas autênticos por suas intervenções inteligentes e pragmáticas. Dava para perceber, na época, quando a conheci, que aquela mineirinha vinha de um passado de luta na resistência contra a ditadura militar e persistiria em sua trajetória, agora dedicada à consolidação da democracia, criando e fortalecendo os partidos no Brasil. Mais tarde, projetando o futuro, passou para as fileiras do PT, onde encontrou mais espaço para ampliar seu trabalho e crescer politicamente. E os projetos até aqui deram certo.
E não vou acrescentar nem tirar aqui mais nada em sua biografia. Pois tudo parece ter sido, recentemente, mostrado à exaustão, seja no horário da propaganda gratuita dos candidatos, em debates e nas centenas de e-mails recebidos no recém passado período da campanha eleitoral que acabamos de viver intensamente com direito a primeiro e segundo turnos de uma corrida presidencial inusitada em nosso país, sob o estigma mulher X homem.
Você já experimentou fazer autocrítica? Brasileiro reclama de quê?
Uma enxurrada de e-mail chegou à minha caixa durante a recente corrida presidencial. A todos lia com atenção e ia deletando direto as repetições e retardando a saída de outros que precisaram ser relidos, terem as fontes checadas e melhor avaliados. Nenhum foi passado adiante, exceto um, pós eleição, encaminhado por um camarada militar, anistiado, que julguei oportuno trazer até aqui para nos servir de início a uma autocrítica como cidadãos, eleitores e políticos, como somos, ou deveríamos ser, pois a política é a arte do entendimento entre os seres humanos e, paradoxalmente nos vem sendo mostrada pelos profissionais do ramo e pela imprensa, como exatamente o contrário. Pois este e-mail, aqui resumidamente reproduzido, iniciava com algumas perguntas sobre nossas reclamações diárias, enumerando, em seguida, 30 exemplos de nossa conduta coletiva habitual. Vejam e reflitam: Agora você segue Reclamando de quem? Tá Reclamando do Lula? Do Serra? Da Dilma? Do Sarney? Do Collor? Renan? Palocci? Do Delubio? Dos mais 300 picaretas do Congresso? Do prefeito de sua cidade, dos vereadores ?
O Brasileiro é assim: 1. – Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas. 2. – Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas. 3. – Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração. 4. – Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura. 5. – Fala no celular enquanto dirige. –Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento. 7. – Pára em filas duplas, triplas em frente às escolas.8. – Viola a lei do silêncio. 9. – Dirige após consumir bebida alcoólica.10. –Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas. 11. – Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas. 12. – Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho. 13. – Faz “ gato “ de luz, de água e de TV a cabo. 14. –Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.15. – Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto. 16. –Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas. 17. – Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.18. – Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes. 19. – Estaciona em vagas exclusivas para deficientes 20. – Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado. 21. – Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.22. – Substitui peças do carro por uma que só tem a casca. 23. –Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da
roleta do ônibus, sem pagar passagem.24. – Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA. 25. – Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho. 26. – Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo. 27. – Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que
recebe das empresas onde trabalha. 28. – Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado. 29. – Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o
fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem. 30. – Quando encontra algum objeto perdido, ou grana, na maioria das vezes não devolve. E exige, pregando moral de cuecas nos bares, lares e esquinas que os políticos sejam honestos. Escandaliza- se com a farra das passagens aéreas. Mas se esquece que esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo. Ou não? Brasileiro reclama de quê, afinal? Dele próprio? Com certeza, é o pavor do espelho. De praticar a difícil mas necessária autocrítica. Quando repórter do Jornal do Comércio, em Porto Alegre, no final dos anos 80, trabalhava em entrevista coletiva improvisada para ouvir o deputado federal constituinte, jornalista, ex- dirigente do Inter, Ibsen Pinheiro, concedida em frente à entrada do Palácio Piratini, em uma de suas vindas ao RS, quando ele fez uma de suas frases famosas, que jamais esqueço: Perguntado pela repórter da Rádio Gaúcha, Nelcira Nascimento, se ele confirmava existência de deputados e senadores que estariam ligados e grupos suspeitos de utilizar meios antiéticos e criminosos durante a constituinte, Ibsen Pinheiro negou-se a falar diretamente sobre o assunto. Mas “tranquilizou”, dizendo para que todos nós, jornalistas, tivéssemos a certeza de que todo o povo brasileiro lá estava representado naquele momento em Brasília.
07/11/2010 às 21:54:02

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