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Dinho Daudt

Assim Nasceu o Turismo

Assim nasceu o turismo

Muitos dos que vieram de fora e estão vivendo hoje, no eixo Garopaba/Praia do Rosa, somando-se à população local, que beira os 20 mil habitantes, lembro bem, sentiram-se atraídos por um tipo de vida alternativo. Uma galera que nos idos anos 60/70 contestava a sociedade de consumo em que vivia e aparecia aos poucos para se acomodar em barracos e barracas junto a praias quase desertas. Vinda principalmente dos grandes centros urbanos. Enquanto a Seleção Brasileira arrebatava o tricampeonato mundial de futebol e, logo depois, o País voltava a sonhar, novamente, com a volta da democracia, alguns procuravam vestir-se de uma maneira não convencional. As mulheres influenciadas na moda oriental e os homens num trash, tipo pós- guerra do Vietname. Uma febre internacional que repercutia aqui na região, conforme pude constatar, pois naquele tempo eu trabalhava como segundo oficial, a bordo dos quadrimotores B-707 da Varig e viajava pelos EEUU, Ásia e Europa. E fui trazido para cá em uma de minhas folgas, por minha irmã, Nereida, pioneira do surf feminino no sul do Brasil. Recordo que cheguei em Garopaba de carona num carro de bois, pois a pickup ficara presa nas dunas, uns 10km antes, vindo do Rosa e era quase noite. Era a chamada geração hyppie. Encontraram aqui em nosso município, habitantes simples, educados e que guardavam ainda, quase intactos, princípios morais e uma cultura nativa que pareciam sinalizar com suas mãos hospitaleiras com o elo perdido de nossas próprias famílias, ancestrais, deixadas em algum lugar do passado. Não interessando se viessem São Paulo, Curitiba, Porto Alegre ou tantas outras cidades do interior, no Rio Grande do Sul e outros estados. Deu-se uma simbiose que evoluiu até o presente Ainda se ouvia muito Beatles e Rolling Stones. E os cabelos longos emolduravam rostos jovens que pela expressão de alegria permanente deixavam ver o quanto cultuavam a natureza como bem supremo e as ondas como um tesouro. Era início de uma nova era. De muitos ouvia dizer que nunca foram tão felizes.
Turismo
A “descoberta” subiu litoral acima. Chegou ao Rio. E influenciou a chamada juventude dourada de Ipanema. E baixaram mais hippies, surfistas, os primeiros turistas, produtores e atores para, uns dez anos depois, gravarem o filme Garota Dourada. Uma consagração. Daí à história mais recente, muitos conhecem e o desenvolvimento é fato consumado, passando o que narrei acima apenas a servir como referência de início de um período na história em que a Cidade de Barcos mudou definitivamente sua feição bucólica, quando atraia os que optavam por uma vida alternativa, com pouco dinheiro, por um presente onde busca interagir plenamente, procurando vender seu principal produto: o turismo. E para que se possa avaliar melhor a importância deste setor que já ocupa nacionalmente o 5º lugar em arrecadação, nosso secretário estadual de Turismo, Cultura e Esporte, também presidente da Santur, Valdir Rubens Walendowsky, que participa do Salão brasileiro de Turismo, que rola lá em São Paulo, confirmou, esta semana, aquilo que sabemos e que atraiu essa turma histórica para o eixo Garopaba/Rosa há mais de 40 anos atrás: 50% do turismo em Santa Catarina e no país é baseado em atividades ligadas ao sol e ao mar !!! Por isso, vamos respeitar aqueles pioneiros que pela primeira vez sentiram e valorizaram em suas próprias peles o sol e o mar dessas praias. E os antigos habitantes que já haviam escolhido esta terra e os acolheram e incentivaram com seu carinho e simplicidade. A preliminar cultural que levou a laços de amor e sangue, agora é uma realidade. É a cara atual da população. Mas com uma diferença abismal em relação à filosofia de vida do século passado. Hoje, a inclusão é a palavra de ordem, seja cultural ou social. E a juventude deseja consumir e muito. As griffes estão mais do que nunca na moda e todos desejam uma maneira de conseguir dinheiro para adquirir os produtos anunciados. Porém, a contestação é própria da juventude e, paradoxalmente, tomamos conhecimento, através da internet de algumas alternativas retrô que nos levam a meditar mais uma vez sobre esta desenfreada onda consumista.
Atrativo
E, quando nos preparamos para mais uma Copa do Mundo, coincidentemente, assim como ocorreu na época dos Beatles, que acabou servindo de referência a nossos pioneiros do turismo nativo, chega também da Inglaterra dos cabeludos de Liverpool e, mais recentemente da cantora Amy Winehouse, a curiosa notícia de um economista que passa 18 meses vivendo sem dinheiro e diz que nunca foi tão feliz.
"Mark Boyle
"
E pasmem, o cara está lançando um livro agora em junho contando a sua experiência (The Moneyless Man), ou, traduzindo: O Homem Sem Dinheiro. Bem mais radical que a rapaziada que vinha prá cá para curtir a natureza, mas que trazia sempre algum no bolso. Embora Caetano, um dos ícones daquela juventude, cantasse que andava sem lenço nem documento e nada no bolso e nas mãos. Mas, Mark Boyle, de acordo com a notícia divulgada pela BBC – é sempre bom, como jornalista, a gente citar a fonte - começou seu experimento em novembro de 2008, aos 29 anos, com o objetivo de chamar a atenção para o excesso de consumo e desperdício na sociedade ocidental (sic). Um atrativo para a mídia internacional e que serve, com certeza como fato exótico ao turismo dos que fazem opção pela Ilha britânica por servir ocasionalmente como farol do mundo ocidental em moda e modismos. Esse novo hippie mudou-se para um trailer que ganhou de graça no site de trocas britânico Freecycle e passou a trabalhar três dias por semana em uma fazenda local em troca de um lugar para estacionar o trailer e um pedaço de terra para plantio de subsistência. Não estranhem se aparecer por aqui alguém com idéia semelhante propondo algo parecido a um dos campings de Garopaba. E parece tão feliz com sua experiência que diz não ver nenhum motivo para voltar a um mundo orientado pelo dinheiro. E após ler esta notícia na telinha de meu laptop não pude deixar de ter um flash back com revival de anos atrás, onde alguns personagens que protagonizaram o início desta crônica – e não são poucos - ainda permanecem, vivendo e curtindo por aqui embora tenham adotado há muito tempo outro modo de vida. A eles o meu abraço. Aos leitores espero ter colaborado contando mais uma das tantas curiosidades que distinguem nossa cidade e a Praia do Rosa. E saibam que não é por simples acaso que ocupamos lugar de destaque no cenário do turismo regional e nacional.
Flexforlong – O nome é auto-explicativo. Mas é preciso que explique tratar-se de uma aula ministrada na Academia Pinguirito para todas as idades e sexos. O método, inovador na cidade, consiste em trabalhar o flexionamento, fortalecimento e alongamento muscular de quem o pratica.E combina com qualquer outro esporte. Estive a convite na aula inaugural, há um mês e não consegui abandonar as aulas até hoje. O preço, promocional, faz você sair malhando na hora sem ser malhado.



Alfredo Daudt Junior       10/06/2010 às 08:23:26



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Comentários

    10/06/2010 às 22:44:10

Essa matéria é extraordinária, no tudo que a palavra significa. Inteligente, profunda, bem humorada e cheia de sabedoria. É preciso ter olhos pra ver. É preciso respeito e sofisticação simples para transformar uma jóia como Garopaba numa potência turística sustentável.
Cadê os atrativos culturais? Não temos UMA sala de nada. Mudar é preciso, viver é preciso. Nossos respeitos aos hippies desbravadores e que levam o nome de Garopaba por todo o mundo. Estive em Ipanema no Rio e quando falei Garopaba, todos disseram: Ôba! Por que? São os surfistas, a rapaziada que espalha a fama. Parabéns grande Dinho. Você é um craque. Aliás, eu já sabia. PauloRicardo


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